segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Buenos Aires - Havanna












Viagem estranha.








quinta-feira, 15 de outubro de 2009

São Paulo, Walker Evans e Chris Marker


Exposição do Chris Marker, no MIS

Duas exposições legais de serem vistas em SP: Chris Marker, no Museu da Imagem e do Som, Walker Evans no MASP. E mais Matisse, na Pinacoteca, as fotos do Porto Seguro no Espaço Porto Seguro, fotos da Maison Européene de la Photographie, no Itaú Cultural, exposições no Museu da Casa Brasileira (fotos de tragédias e invasões). E, ainda, Bresson, no SESC Pinheiros. Já é um bocado de coisas para fazer...

Estive lá no feriado e me diverti bastante. (e nem vou falar sobre o Cauby, no bar Brahma...).

Duas coisas que me chamaram a atenção: um texto do Walker Evans, de 1972, muito a propósito:

“Peguei agora aquela camerazinha SX70 de brincadeira e fiquei muito interessado. Estou muito animado com ela... Mas, um ano atrás, teria dito que a cor é vulgar e não deveria ser utilizada em nenhuma circunstância... Com esta câmera, o trabalho acaba assim que se aperta o botão... Acho que é a primeira vez que se pode por uma máquina nas mãos de um artista e deixá-lo que se preocupe somente com a sua visão, seu gosto e sua mente.”

E outra, um texto do Chris Marker:

Nós trocamos olhares, como se diz, mas o que eles recebem em troca? Às vezes uma fração de segundo, às vezes um olhar comprido, sério; às vezes amigável, às vezes (raramente) hostil; e eu como um rápido batedor de carteiras fugindo com minha generosidade, certo de encontrar um lugar tranqüilo para abri-la à vontade, e me alegrar. E agora todos eles estão alinhados nesta parede como se estivessem esperando pelo esquadrão de fuzilamento ou o último Examinador, unidos como eles vão estar no dia do Julgamento supondo que haverá um e Deus não estará cansado de todos que, irmãos e irmãs finalmente, apesar de que alguns deles tiveram o cara do quadro ao lado atravessado na garganta.

Neste 1/50 de um segundo o trabalhador chileno sob Allende sabia que a fábrica nacionalizada era agora sua propriedade, o boxeador tailandês na lona sabia que ele atingiria o desafio dos Dez Milhões (eles não), a alemã esquerdista sabia que o seu lado tinha sido severamente batido nas pesquisas, o arqueiro coreano sabia que ele era o melhor na sua categoria, os três migrantes chineses sabiam que sem o homem que eles vieram a enterrar, a vida se tornaria mais dura a cada dia. Neste maligno, indefinido mundo, a velocidade do obturador parou o momento mais raro, um momento de certeza.


Fotos: Chris Marker




terça-feira, 29 de setembro de 2009

Carlos Mancuso




Parece que algumas coisas sempre existiram, nascidas de alguma origem súbita, incerta e não sabida. Ou talvez seja só nosso costume “industrial”, em que tudo é feito em escala, pré-fabricado em algum cantão chinês e adaptado aos lugares, mais ou menos na marra. Uma outra maneira de dizer a mesma coisa é: que ignorância a minha, que falta de curiosidade, quanta falta de “investigação”. Pode ser mais simples: as minhas poucas idas ao São Pedro.Ou então, pode ser só a falta de hábito de olhar para cima! Mas acho que é mais que isso...
Seja o que for, ontem fui fotografar para um perfil um senhor chamado Carlos Mancuso. Pintor, arquiteto, restaurador e boa praça, foi ele quem desenhou e restaurou o teto do Teatro São Pedro e, o que achei mais incrível, desenhou e projetou o imenso lustre que domina a platéia do teatro. O lustre e as pinturas que, acho, pensei existirem desde sempre.
Desculpada minha ignorância, liguei isso a um painel que fotografei outro dia sobre “questões do envelhecimento”. A pergunta era “o que significa envelhecer” e se incentivava os participantes a responder com um pequeno texto. Acho que, se tivesse tido mais coragem e tempo, teria escrito que algumas vezes envelhecimento se liga a esquecimento.
Foi a sensação que tive descobrindo e fotografando o Mancuso. E me dei conta, também, que este é um dos tantos medos que carrego comigo.

sábado, 26 de setembro de 2009

Guadalupe Miles e Pablo Tellezon


Na viagem de trem, de Puno a Cusco


Guadalupe Miles fotografando, Pablo mirando al sudeste.

Em agosto do ano passado, em uma viagem a Buenos Aires, vi numa exposição uma fotografia de alguém que havia conhecido muitos anos antes, em uma viagem pela Bolívia. Em Potosí, mais exatamente. Lá em cima descobri a "puna" ou o "soroche", o mal de altura. Também conheci os argentinos, que me encantaram para sempre. Um caso ("causo") com um casal deles, contei aqui. Marco, outro dia, me disse que leu e que havia ficado curioso de ver a foto de que falei. Disse ele, vê-la provaria - ainda que não se tratasse de dúvida alguma - tudo, deixaria tudo mais "real". Gostei de ele ter lido e gostei da idéia. Hoje fui procurá-la (procurá-los) e achei (cromos precisam ser olhados na folha, um a um). Achei, também, algumas outras fotos dessa viagem tão estranha, em 1998. Mundo pequeno e redondo.

Potosí

domingo, 20 de setembro de 2009

Walker Evans no MASP




"Fotógrafo da América Profunda", Walker Evans vai ter uma mostra em exibição no Masp, em SP, a partir de 1o. de outubro. Serão 120 imagens do norte-americano que viveu entre 1903 e 1975 e que é bastante conhecido pelo seu trabalho no interior dos EUA (o projeto F.S.A.) durante a depressão econômica dos anos 1930. Mas mais que isso, pelo seu olhar "objetivo" e "não sentimental", hoje Evans é uma das grandes referências para o que há de vínculo entre fotografia e arte contemporânea.

As fotos acima são de um trabalho que o fotógrafo produziu no interior dos metrôs de Nova York, com uma câmera escondida. Segundo Geoff Dyer, no livro O Instante Contínuo,

Em vista do impacto que Cega, de Strand, lhe causou, era inevitável que Evans tentasse um dia produzir algo equivalente - equivalente não só sentido de que Evans realmente fotografou um acordeonista cego em Nova York, mas também de que procurou utilizar o mesmo procedimento: fotografar pessoas sem que elas se dessem conta de sua presença.
Entre 1938 e 1941, Evans fez uma série de retratos de passageiros no metrô de Nova York. A essa altura, os inconvenientes de fazer instantâneos na rua tinham sido superados e era relativamente fácil fotografar, sem ser notado, à luz do dia. Nas condições de baixa luminosidade e de trepidação do metrô (onde era proibido fotografar semlicença da polícia), Evans enfrentou muitas dificuldades técnicas que se tornaram - ao menos em retrospecto - parte essencial do objetivo do projeto. Com uma câmera Contax de 35mm escondida sob o casaco (com o diafragma bem aberto, o obturador ajustado para 1/50 e as partes cromadas pintadas de preto), Evans (às vezes acompanhado pela jovem fotógrafa Helen Levitt - viajava no metrô e esperava até que, supunha, a pessoa diante dele estivesse corretamente enquadrada. Depois, utilizando um cavo disparador que corria pela manga do paletó, ele se firmava e batia a foto. Até revelar o filme, Evans não sabia com exatidão o que havia registrado. Em termos de composição correta, estava fotografando às cegas. Isso era parte da atração do projeto.
A idéia, disse Evans mais tarde, era imaginar que certas pessoas "tinham aparecido e, sem saber, se posicionado diante de uma câmera fixa e impessoal durante um determinado tempo, e que todas essas pessoas, enquadradas no visor, eram fotografadas sem a menor intervenção humana no momento em que o obturador era disparado". (...) "Eles baixam a guarda e deixam cair a máscara", observou ele, "mais ainda do que quando estão sozinhos no quarto (com um espelho), no metrô os rostos se acham expostos e indefesos".